É sexta-feira. O dia foi estressante, cheio de reuniões, de muito trabalho. Você olha para o ponteiro do seu relógio de instante em instante. Louco para que a tarde passe voando. Ao fim do expediente, você só tem um destino, um desejo: pendurar as botas, guardar o uniforme, desapertar a gravata e ir… tomar aquela cervejinha com os amigos.

Independente da profissão, é num copo gelado com o líquido levemente alcoólico, amarelo-ouro de sabor amargo que o dia termina.

Ao chamar o garçom, você pode pedir uma “loira gelada”. Uma “breja”, quem sabe. Há quem a chame de “cerva”, “suco de cevada”, “boa”, “ouro líquido”, “birra”… Enfim, os apelidos são variados e vem entoado com os sotaques de todo o canto do Brasil.

Desde sempre a cerveja participa ativamente da vida do brasileiro. Aliás, ela é a nossa cara, segundo uma pesquisa do IBOPE.

O levantamento é um pouco antigo, de 2014. A pesquisa mostrou que 59% dos brasileiros escolhem a cerveja como uma bebida para se comemorar algo, como jogos da seleção brasileira, por exemplo. Mas serve para encerrar as atividades semanais também. E iniciar as do final de semana, é claro.

Passados 5 anos desta pesquisa, não é preciso uma bola de cristal para saber que pouca coisa mudou, não é mesmo?

Curiosidades

A cerveja é história. Fez história. Ajudou a eternizar histórias. Eis um exemplo disso: na construção das pirâmides de Gizé – aquelas famosas do Egito -, cerca de 2.700 anos antes de Cristo, cada um dos trabalhadores que as construíram, ganhava 5 litros de cerveja por dia. Segundo contam os livros, a cerveja era considerada um “pão líquido”, alimento fundamental para que os trabalhadores aguentassem o tranco. Era o incentivo deles.

Os primeiros passos da cerveja foram dados na China, no ano 8000 a.C. Num lugar chamado Jiahu, no norte do país, foram encontrados alguns jarros com uma bebida feita de arroz, mel, uvas e um tipo de cereja, tudo fermentado.

Depois disso, a civilização dos sumérios aperfeiçoou essa fórmula. A partir dela criou 19 tipos de bebida alcoólica, 16 à base de trigo e cevada. Eis que nasce uma cerveja – sim, foi um trocadilho com o nome do filme “Nasce uma Estrela”.

Os louros da loira

Anos e anos de aperfeiçoamentos e muitos pileques pelo mundo afora depois, a cerveja virou um motor econômico. Principalmente para o Brasil. Só para se ter ideia do que está por trás de um copo de cerveja, esse mercado movimenta aproximadamente R$ 74 bilhões, o que corresponde por 1,6% do PIB nacional, conforme dados de uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas para a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (Cerv Brasil).

Para quem tem um gosto mais apurado e leva em conta a degustação, é a cerveja artesanal seu paraíso. E esse paraíso tem se expandido no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), em dez anos, o número de cervejarias desse nicho subiu de 70 para 700 cervejarias. Só no ano passado foram registradas 185 novas fábricas, um crescimento de 35%.

O sabor diferenciado das cervejas artesanais, com o equilíbrio de ingredientes como levedura, água, lúpulo e malte, vem ganhando adesão. Tanto que 12% das pessoas consomem cerveja artesanal com frequência e 53% já tomaram algumas vezes, segundo a Abracerva.

E não custa lembrar que mais do que ser um “bote salva-vidas” na tristeza ou na alegria, a cerveja foi peça fundamental no surgimento da agricultura no mundo, quando se reaproveitava sementes que compunham bebidas para fazer novas sementes e plantações.

Tem política também

Como a cerveja faz parte da vida do brasileiro, sua regulamentação é importante para que a bebida não acabe apenas com a sua sede, mas faça a roda da economia girar. E na Câmara Federal, a Comissão de Agricultura é quem trabalha para ajudar a não esvazia o copo de ninguém Isso é ótimo, não é mesmo?

Hoje é Dia da Cerveja. Dia de reunir os amigos para mais uma rodada. E não se esqueça: se bebeu, nem adianta pegar no volante. Chame o amigo da vez. Provavelmente tem gente em casa esperando por você.

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