O comércio de importação e exportação de carnes avícola e suína envolvendo os cinco países que formam o grupo do Brics tem sido acompanhado com lupa pelas frentes parlamentares instaladas este ano na Câmara Federal.

As frentes Brasil-China e Brics, coordenadas pelo deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), têm analisado profundamente dois temas que estão em discussão, atualmente.

Um deles é a situação da peste suína africana, que já levou a China a eliminar 3.739.565 suínos desde fevereiro, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Por conta da doença,que freou a produção interna, o país asiático precisou importar.

Diante da crise, os chineses importaram nos primeiros seis meses do ano 818.703 toneladas, um aumento de 26,3% em relação a 2018, de acordo com dados da Administração Geral das Alfândegas.

Embora sendo um fato negativo para o comércio interno chinês, por aqui houve um saldo positivo. Em abril, o Brasil registrou aumento de 44,3% na vendas de suínos em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidas 58,1 mil toneladas e desse volume, 27,7% seguiu para a China e 24% para Hong Kong, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A entidade acredita ainda que teremos um aumento de 20% de importações para a China em 2019.

Pinato é otimista quanto ao mercado de exportações de suíno brasileiro. “Toda nossa equipe na Frente trabalha para que, justamente nesses momentos, o mercado brasileiro possa se sobressair a outros e automaticamente ter crescimento. Posso garantir que com essa relação que reforçamos com a China por meio dessa Frente na prateleira de prioridades na hora de exportar produtos”, afirma.

Força do BRICS

Paralelo ao mercado de suíno, o deputado Pinato também reserva boa parte de sua atenção na produção brasileira de carnes avícolas dentro do BRICS, por meio de uma Frente Parlamentar. É desse grupo de países que sai um terço da produção mundial desse tipo de carne, principalmentefrango.

A primeira posição na linha produtiva do BRICS é a China com 45% do total, seguida pelo Brasil (33%), Rússia(12,5%) e Índia (9,1%).

O grupo do BRICS, no quesito produção de carne avícola, tem uma importância no mercado muito maior que União Europeia (UE), por exemplo, que responde por pouco mais de 10% do total produzido, mas é composta por 28 países.

Futuro promissor

Um estudo da OCDE/FAO faz uma projeção de produção de carnes avícolas para o ano de 2028. O Brasil deve ter um acréscimo de 13%, segundo esses dados. Somos antecedidos apenas por Índia (41%) e China (16,8%).

Porém, e esse “porém” pode ser muito benéfico para o Brasil, é que o estudo da OCDE/FAO levou em conta o triênio 2016/18. Ou seja, antes da crise sanitária na China, iniciada em fevereiro deste ano. Com o problema da peste suína africana, as carnes avícolas devem ter um aumento de demanda de importação, tanto na China como em outros países, exigindo maior produção brasileira.

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